-----Exposto no Museu da Cidade, em Lisboa, «O FADO», pintura a óleo sobre tela (183x150), foi criado por José Malhoa em 1910. Apresenta, em cena de lupanar ou tasca da época, uma mulher em distendido deleite, quiçá uma rameira, e um fadista cantando enquanto dedilha uma guitarra portuguesa. José Vital Branco Malhoa, nascido nas Caldas da Rainha a 28 de Abril de 1855, faleceu em Figueiró dos Vinhos a 26 de Outubro de 1933. Além de emérito pintor e desenhista de craveira internacional, foi professor de português. Designado primeiro presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes, fundada em 1901, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago.
-----Quem, contemplando a famosa tela, toma e aprofunda raciocínio sobre os elementos atrás referidos, considerando também o intelecto do artista, decerto concluirá que em 1910 ainda não se havia estabelecido a actual trindade fadista: intérprete, guitarra e viola. Considerando ainda que Alfredo Marceneiro nasceu em 1891 e se terá afirmado na lide a partir dos vinte-e-poucos anos, mais se confirma que a decorrente forma de interpretar e apresentar Fado só terá tido lugar a partir de 1910. A intervenção dos peculiares poetas de Fado, tais como Francisco Radamanto(?), Gabriel de Oliveira (1891), João Linhares Barbosa (1893) e Carlos Conde (1901), mais reforçam a ideia de que a dealba do Fado, consoante se desenrola hoje em dia, se terá verificado no decurso da terceira década do século passado.